Santa Bárbara se levantou,
seu pezinho direito calçou,
Jesus Cristo lhe perguntou.
Onde vais Santa Bárbara?
- Vou espalhar esta trovoada.
Espalhai-a lá bem longe,
onde não haja Rei nem bem,
nem raminho de oliveira,
nem bafo de gente cristã.
Invocação a Santa Bárbara por ocasião das trovoadas. Cedido por: Ana Fernandes que aprendeu com a avó Olinda Luísa Almeida da Junça.
Santa Bárbara foi uma mártir do século III, celebrada como santa pela Igreja Católica e Ortodoxa. Reza a lenda que após ter sido condenada à morte, por se ter convertido ao cristianismo, um raio cruzou o céu e fulminou o seu carrasco. Desde então passou a ser invocada como protectora contra ou relâmpagos e tempestades, tornando-se numa das santas mais reconhecidas da devoção popular em Portugal e no Brasil.
Também na Junça se difundiu o hábito de invocar Santa Bárbara por ocasião das trovoadas comuns durante os meses de Verão e finais da Primavera, que causavam grande alarido entre as populações pelo medo e prejuízos causados. O ritual da reza era frequente acompanhado da queima de um raminho de oliveira benzido por ocasião do Domingo de Ramos, que se celebrava na capela da Santa Rita.