Igreja de Santa Maria Madalena, Junça. foto e texto: José Fonseca
Campanário com um sino grande e um pequeno: O sino pequeno, ou de “Santa Bárbara”, tem uma história. Havia uma senhora, a Maria do Ti João Pedro, tia da minha mulher, que era uma grande devota de Santa Bárbara e segundo se diz nos protege das trovoadas.Sempre que uma tempestade desabasse na Junça, fosse a que horas fosse, corria para os degraus de pedra que levam ao campanário, subia apressadamente e segurava o badalo do sino de Santa Bárbara e só parava freneticamente de tocar quando a trovoada se afastava. Voltava a casa com a roupa toda encharcada. Certo é, que as tormentas nunca causaram males de maior na nossa aldeia.
O sino grande já não é o primitivo. O som não se compara ao primeiro que foi vitima de um inverno rigoroso com muito gelo. Essas temperaturas muito negativas causaram uma fractura no bronze e teve que ser substituído. O toque das avé Marias ao meio dia e o toque das trindades ao cair da tarde era feito com a ajuda de uma corrente ligada ao sino grande e que era puxada cá de baixo. Essa corrente pode-se observar na foto ficava à altura de uma pessoa adulta para evitar que a garotada nas suas brincadeiras fizesse uso dela.
Actualmente está instalado um sistema elétrico/mecânico que acciona uns martelos para baterem nos sinos. Porém, o som em nada se compara ao produzido pela percussão dos badalos em forma de pêra. Ficará pela metade. Antes desse sistema, as carreiras do nosso sino eram ouvidos praticamente em todo o território da Junça. Até ao povo vizinho das Naves chegava a vibração maravilhosa.
Do meu conhecimento há quatro grandes mestres no repicar dos nossos sinos: O Ti Sapateiro Velho, já falecido. O Sr Joaquim Cesar, já falecido. O Sr. Joaquim Mateus e o Sr Leonél.
Há uma oração dedicada a Santa Bárbara no momento da trovoada que é assim:
-Santa Bárbara bendita;
Que nos céus está inscrita;
Com papel e água benta;
Pede a Deus Nosso Senhor;
Que nos livre desta tormenta.
P N e A M.