Utiliza-se quando alguém inadvertidamente toma uma atitude frouxa a respeito de uma situação que exige maior firmeza ou intensidade de meios, como enviar crianças em representação de adultos a eventos importantes como a missa. Emprega-se sobretudo nos jogos de cartas quando um dos participantes com a intenção de vencer uma jogada e dispondo de várias opções, utiliza uma carta que se revela escassa para os objectivos, obtendo o resultado contrário.
Censo 1970. “Alojamentos, famílias, população presente e população residente, por lugares". Extracto relativo às freguesias do Concelho de Almeida.
“Recordando”, manuscrito: Adriano A. Pinto da Silva.
Achando-me por acaso,
Depois de tanto tempo passado,
Breves momento em frente,
Do meu ídolo amado,
Eu o fito num instante,
E fico-me a sismar,
N’aquilo que o tempo faz,
Depois de ele passar;
E lembro-me então eu,
Da primeira vez que te vi;
E dessa recordação;
Grande pena eu senti;
Ao contemplar esse teu;
Ainda esbelto corpo;
Coberto de negros crepes,
Da morte lembro o sopro;
Porque vi na tua face,
Alguns sinais já gravados;
Dos que o tempo imprime,
Depois dos anos passados;
Então olho um espelho,
Que grande meu espanto;
Minha cara tinha rugas,
O cabelo, algum já branco;
Se pudesse descrever,
O drama desenrolado,
Havia de comover,
A cena que tem passado;
Nesta desenrolada vida,
De então até agora;
Dessa ventura perdida,
E, antes de vir foi embora;
Mas eu para quê queixar-me,
Se sina minha há-de ser;
Ter sempre a desventura
Do berço até morrer?
.
“He a comarca que chamamos de Riba de Côa, hũa língua de terra de quinze legoas de comprido, & de largo quatro, aonde tem mais largura. Está lançaada de Norte a Sul, & cingida da parte de Portugal com o rio Côa, que tendo seu nascimento na serra de Xalma q he hũa parte da de Gata, faz, hũa entrada em Portugal pelos lugares de Folgosinho, Val de espinho & Quadrasais, donde se avisinha ao Sabugal, primeira Villa acastellada desta comarca por aquella parte, & della vai correndo até se meter no Douro em Villa noua de fos Côa. Pela parte do Reyno de Leão, ou Estremadura de Leão, com que confina, vai a raia balisada por campinas, & montes até São Pedro de Rio seco, perto do qual lugar nasce a ribeira de Turões, que vai dividindo os Reynos até entrar no Ageda, abaixo de Escarigo. Daqui vai o Ageda fazendo a mesma divisão até entrar no Douro, que fecha ultimamente este destrito, recebedo as agoas do Côa no logar que dissemos.”
“Ha nesta comarca muitas aldeãs & lugares abertos de grande copia de moradores. Tem sete villas acastelladas, a saber, Sabugal, Alfaiates, Villar maior, Castelbom, Almeida, Castelbranco & Castel melhor. He toda esta terra abundatissima de lavouras & gados, de que repartia muito para outras comarcas de Portugal, & Castella. Dos mais frutos tem qualidade.”
Descrição da Comarca de Riba Côa por Fr. Francisco Brandão, Monarchia Lusitana, I. XVII, cap. XXXI. ano de 1672.
Santa Bárbara se levantou,
seu pezinho direito calçou,
Jesus Cristo lhe perguntou.
Onde vais Santa Bárbara?
- Vou espalhar esta trovoada.
Espalhai-a lá bem longe,
onde não haja Rei nem bem,
nem raminho de oliveira,
nem bafo de gente cristã.
Invocação a Santa Bárbara por ocasião das trovoadas. Cedido por: Ana Fernandes que aprendeu com a avó Olinda Luísa Almeida da Junça.
Santa Bárbara foi uma mártir do século III, celebrada como santa pela Igreja Católica e Ortodoxa. Reza a lenda que após ter sido condenada à morte, por se ter convertido ao cristianismo, um raio cruzou o céu e fulminou o seu carrasco. Desde então passou a ser invocada como protectora contra ou relâmpagos e tempestades, tornando-se numa das santas mais reconhecidas da devoção popular em Portugal e no Brasil.
Também na Junça se difundiu o hábito de invocar Santa Bárbara por ocasião das trovoadas comuns durante os meses de Verão e finais da Primavera, que causavam grande alarido entre as populações pelo medo e prejuízos causados. O ritual da reza era frequente acompanhado da queima de um raminho de oliveira benzido por ocasião do Domingo de Ramos, que se celebrava na capela da Santa Rita.
Igreja de Santa Maria Madalena, Junça. foto e texto: José Fonseca
Campanário com um sino grande e um pequeno: O sino pequeno, ou de “Santa Bárbara”, tem uma história. Havia uma senhora, a Maria do Ti João Pedro, tia da minha mulher, que era uma grande devota de Santa Bárbara e segundo se diz nos protege das trovoadas.Sempre que uma tempestade desabasse na Junça, fosse a que horas fosse, corria para os degraus de pedra que levam ao campanário, subia apressadamente e segurava o badalo do sino de Santa Bárbara e só parava freneticamente de tocar quando a trovoada se afastava. Voltava a casa com a roupa toda encharcada. Certo é, que as tormentas nunca causaram males de maior na nossa aldeia.
O sino grande já não é o primitivo. O som não se compara ao primeiro que foi vitima de um inverno rigoroso com muito gelo. Essas temperaturas muito negativas causaram uma fractura no bronze e teve que ser substituído. O toque das avé Marias ao meio dia e o toque das trindades ao cair da tarde era feito com a ajuda de uma corrente ligada ao sino grande e que era puxada cá de baixo. Essa corrente pode-se observar na foto ficava à altura de uma pessoa adulta para evitar que a garotada nas suas brincadeiras fizesse uso dela.
Actualmente está instalado um sistema elétrico/mecânico que acciona uns martelos para baterem nos sinos. Porém, o som em nada se compara ao produzido pela percussão dos badalos em forma de pêra. Ficará pela metade. Antes desse sistema, as carreiras do nosso sino eram ouvidos praticamente em todo o território da Junça. Até ao povo vizinho das Naves chegava a vibração maravilhosa.
Do meu conhecimento há quatro grandes mestres no repicar dos nossos sinos: O Ti Sapateiro Velho, já falecido. O Sr Joaquim Cesar, já falecido. O Sr. Joaquim Mateus e o Sr Leonél.
Há uma oração dedicada a Santa Bárbara no momento da trovoada que é assim:
-Santa Bárbara bendita;
Que nos céus está inscrita;
Com papel e água benta;
Pede a Deus Nosso Senhor;
Que nos livre desta tormenta.
P N e A M.
Declamação do poema “Liberdade” de Vasco Miranda por Avelino Lote. 12 de Agosto de 2012. video: José Fonseca
PAPA-FIGOS ou MARINTÉU, oriolus oriolus. foto: Joaquim Antunes
O papa-figos, também chamado de marintéu, é uma ave de pequeno porte conhecida pelas suas cores garridas e por ser um ávido comedor de fruta, em especial de figos.
O macho adulto é fácil de identificar: cabeça e dorso amarelos, asas pretas e bico vermelho. A fêmea é mais esverdeada e, quando em voo, pode confundir-se com o pica-pau-verde. Apesar de raramente pousar à vista, o papa-figos faz ouvir com frequência o seu canto aflautado, sendo este muitas vezes o primeiro sinal da sua presença.
A sua permanência coincide com o período de frutificação e maturação dos figos lampos e vindimos, que constituem o seu alimento predilecto. É um visitante estival que chega bastante tarde ao nosso país: a maioria dos machos faz-se ouvir a partir de finais de Abril ou início de Maio e canta até ao princípio de Julho. Parte para África em Agosto, sendo já raro a partir de Setembro.
O papa-figos distribui-se de norte a sul e pode ser considerado comum na metade interior do território nacional e pouco comum na metade ocidental.
Na Beira Interior o papa figos é bastante comum ao longo de toda a faixa raiana e pode ser observado na albufeira de Santa Maria de Aguiar, na zona de Vilar Formoso, na região do Sabugal e Tejo Internacional. Mais para oeste, ocorre também em Celorico da beira, nas serras de Montemuro e da Gardunha e na albufeira da Marateca.
BOLSA DE PASTOR
Capsella bursa-pastoris (L.) Medik.
Brassicaceae
Esta planta, que floresce ao longo de todo o ano em todo o Mundo, excepto nas regiões áridas, nas culturas, jardins, à beira dos caminhos, muros velhos e escombros, deve o seu nome vernáculo à forma dos seus frutos, que fazem lembrar as bolsas dos pastores. O próprio nome do género, Capsella, significa pequeno cofre em latim. Desconhecida dos Gregos, dos Romanos e dos Árabes, a bolsa-de-pastor foi muitas vezes confundida na Idade Média, com a sempre-noiva, sob o nome de sanguinária. No século XVI, Mattioli resumiu o juízo da época sobre esta planta na seguinte afirmação: é um bom hemostático. No século XVIII e começo do XIX, era conhecida pelas suas propriedades adstringentes, recomendada contra a expectoração sanguinolenta e as metrorragias. A seguir foi esquecida. No entanto, durante a I Guerra Mundial, a falta de plantas anti-hemorrágicas, como a cravagem do centeio e hidraste, favoreceu a procura de plantas indígenas adstringentes e hemostáticas; a partir daí, a bolsa-de-pastor saiu do esquecimento. Também designada de por capsela, erva-do-bom-pastor.
IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA
Planta herbácea anual, de 8 a 50 cm de altura, caule erecto, mais ou menos viloso na base. As folhas basais são em roseta junto ao solo; as que se encontram ao longo do caule, muito mais pequenas, são amplexicaules, inteiras e ligeiramente penatissectas. As flores, muito pequenas, brancas, encontram-se agrupadas em corimbos terminais. Os frutos são silículas triangulares contendo numerosas sementes oblongas e avermelhadas.
PARTES UTILIZADAS
A parte aérea, que deve ser seca à sombra em local bem arejado.
COMPONENTES
A bolsa-de-pastor contém colina (cerca de 0,2%). Contém também derivados flavónicos (luteolol e heterósidos correspondentes) e uma alcaloide (a burcina), um óleo essencial próximo do da mostarda, um pouco de tanino e ácidos orgânicos, entre os quais ácido fumárico.
PROPRIEDADES
Ad partes aéreas da bolsa-de-pastor são conhecidas pela sua acção sobre a insuficiência venosa e o seu efeito hemostático, que derivam certamente da riqueza em colina e da presença do referido alcaloide e dos derivados flavónicos.
INDICAÇÕES HABITUAIS
A bolsa-de-pastor é tradicionalmente reconhecida como um hemostático e tónico uterino. Está indicada no caso de insuficiência venosa (pernas pesadas), tanto por via interna como externa.
PRECAUÇÕES
Nenhuma nas doses preconizadas.
UTILIZAÇÕES
Infusão (10 min.): 20 g de partes aéreas por litro de água. 1 chávena de manhã e à noite contra as hemorroidas, varizes e pernas pesadas. 3 a 4 chávenas por dia, num tratamento de 10 dias, em caso de metrorragias e de perdas sanguíneas.