"O que tu quiseres, tu bem sabes!"

Ti Prosa (António Andrade Coelho)

A história associada à frase tem por protagonista o senhor António Andrade Coelho (n.30.10.1907 f.12.11.1999), poeta ocasional conhecido na aldeia por Ti Prosa em virtude da sua apetência natural para a escrita. A história contada pelo próprio remonta aos seus tempos de tropa, altura em que os companheiros com menos instrução ou talento para o galanteio o requisitavam para redigir ou escrever a correspondência. Certa vez um amigo analfabeto e com óbvia falta de ideias terá deixado ao seu cuidado a tarefa de escrever integralmente uma carta à pretendente, confiando nos seus dotes literários. Relutante e com falta de paciência o Ti Prosa tê-lo-á questionado sobre o conteúdo, ao que terá respondido repetidamente: “O que tu quiseres, tu bem sabes!”. Sem meias medidas o Ti Prosa conta ter escrito e enviado sem que o amigo tivesse noção uma carta integralmente escrita com a frase “ O que tu quiseres, tu bem sabes! O que tu quiseres, tu bem sabes! O que tu quiseres, tu bem sabes! ”  Desconhece-se se tão original demonstração de interesse terá surtido efeito.

"Moscatel, não vai para o túnel!"

dizer popular
Censo 1970. “Alojamentos, famílias, população presente e população residente, por lugares”. Extracto relativo às freguesias do Concelho de Almeida.

Censo 1970. “Alojamentos, famílias, população presente e população residente, por lugares”. Extracto relativo às freguesias do Concelho de Almeida.


"Recordando”, manuscrito: Adriano A. Pinto da Silva.  Achando-me por acaso, Depois de tanto tempo passado, Breves momento em frente, Do meu ídolo amado, Eu o fito num instante, E fico-me a sismar, N’aquilo que o tempo faz, Depois de ele passar; E lembro-me então eu, Da primeira vez que te vi; E dessa recordação; Grande pena eu senti; Ao contemplar esse teu; Ainda esbelto corpo; Coberto de negros crepes, Da morte lembro o sopro; Porque vi na tua face, Alguns sinais já gravados; Dos que o tempo imprime, Depois dos anos passados; Então olho um espelho, Que grande meu espanto; Minha cara tinha rugas, O cabelo, algum já branco; Se pudesse descrever, O drama desenrolado, Havia de comover, A cena que tem passado; Nesta desenrolada vida, De então até agora; Dessa ventura perdida, E, antes de vir foi embora; Mas eu para quê queixar-me, Se sina minha há-de ser; Ter sempre a desventura Do berço até morrer? .

"Recordando”, manuscrito: Adriano A. Pinto da Silva.

Achando-me por acaso,
Depois de tanto tempo passado,
Breves momento em frente,
Do meu ídolo amado,

Eu o fito num instante,
E fico-me a sismar,
N’aquilo que o tempo faz,
Depois de ele passar;

E lembro-me então eu,
Da primeira vez que te vi;
E dessa recordação;
Grande pena eu senti;

Ao contemplar esse teu;
Ainda esbelto corpo;
Coberto de negros crepes,
Da morte lembro o sopro;

Porque vi na tua face,
Alguns sinais já gravados;
Dos que o tempo imprime,
Depois dos anos passados;

Então olho um espelho,
Que grande meu espanto;
Minha cara tinha rugas,
O cabelo, algum já branco;

Se pudesse descrever,
O drama desenrolado,
Havia de comover,
A cena que tem passado;

Nesta desenrolada vida,
De então até agora;
Dessa ventura perdida,
E, antes de vir foi embora;

Mas eu para quê queixar-me,
Se sina minha há-de ser;
Ter sempre a desventura
Do berço até morrer?

.

“He a comarca que chamamos de Riba de Côa, hũa língua de terra de quinze legoas de comprido, & de largo quatro, aonde tem mais largura. Está lançaada de Norte a Sul, & cingida da parte de Portugal com o rio Côa, que tendo seu nascimento na serra de Xalma q he hũa parte da de Gata, faz, hũa entrada em Portugal pelos lugares de Folgosinho, Val de espinho & Quadrasais, donde se avisinha ao Sabugal, primeira Villa acastellada desta comarca por aquella parte, & della vai correndo até se meter no Douro em Villa noua de fos Côa. Pela parte do Reyno de Leão, ou Estremadura de Leão, com que confina, vai a raia balisada por campinas, & montes até São Pedro de Rio seco, perto do qual lugar nasce a ribeira de Turões, que vai dividindo os Reynos até entrar no Ageda, abaixo de Escarigo. Daqui vai o Ageda fazendo a mesma divisão até entrar no Douro, que fecha ultimamente este destrito, recebedo as agoas do Côa no logar que dissemos.”

“Ha nesta comarca muitas aldeãs & lugares abertos de grande copia de moradores. Tem sete villas acastelladas, a saber, Sabugal, Alfaiates, Villar maior, Castelbom, Almeida, Castelbranco & Castel melhor. He toda esta terra abundatissima de lavouras & gados, de que repartia muito para outras comarcas de Portugal, & Castella. Dos mais frutos tem qualidade.”



Descrição da Comarca de Riba Côa por Fr. Francisco Brandão, Monarchia Lusitana, I. XVII, cap. XXXI. ano de 1672.


"Setembro, ou seca as fontes ou leva as pontes."

ditado popular.

"

Santa Bárbara se levantou,
seu pezinho direito calçou,
Jesus Cristo lhe perguntou.
Onde vais Santa Bárbara?


- Vou espalhar esta trovoada.


Espalhai-a lá bem longe,
onde não haja Rei nem bem,
nem raminho de oliveira,
nem bafo de gente cristã.

"

Invocação a Santa Bárbara por ocasião das trovoadas. Cedido por: Ana Fernandes que aprendeu com a avó Olinda Luísa Almeida da Junça.

 

Santa Bárbara foi uma mártir do século III, celebrada como santa pela Igreja Católica e Ortodoxa. Reza a lenda que após ter sido condenada à morte, por se ter convertido ao cristianismo, um raio cruzou o céu e fulminou o seu carrasco. Desde então passou a ser invocada como protectora contra ou relâmpagos e tempestades, tornando-se numa das santas mais reconhecidas da devoção popular em Portugal e no Brasil.

Também na Junça se difundiu o hábito de invocar Santa Bárbara por ocasião das trovoadas comuns durante os meses de Verão e finais da Primavera, que causavam grande alarido entre as populações pelo medo e prejuízos causados. O ritual da reza era frequente acompanhado da queima de um raminho de oliveira benzido por ocasião do Domingo de Ramos, que se celebrava na capela da Santa Rita. 


Igreja de Santa Maria Madalena, Junça. foto e texto: José Fonseca
Campanário com um sino grande e um pequeno: O sino pequeno, ou de “Santa Bárbara”, tem uma história. Havia uma senhora, a Maria do Ti João Pedro, tia da minha mulher, que era uma grande devota de Santa Bárbara e segundo se diz nos protege das trovoadas.Sempre que uma tempestade desabasse na Junça, fosse a que horas fosse, corria para os degraus de pedra que levam ao campanário, subia apressadamente e segurava o badalo do sino de Santa Bárbara e só parava freneticamente de tocar quando a trovoada se afastava. Voltava a casa com a roupa toda encharcada. Certo é, que as tormentas nunca causaram males de maior na nossa aldeia.O sino grande já não é o primitivo. O som não se compara ao primeiro que foi vitima de um inverno rigoroso com muito gelo. Essas temperaturas muito negativas causaram uma fractura no bronze e teve que ser substituído. O toque das avé Marias ao meio dia e o toque das trindades ao cair da tarde era feito com a ajuda de uma corrente ligada ao sino grande e que era puxada cá de baixo. Essa corrente pode-se observar na foto ficava à altura de uma pessoa adulta para evitar que a garotada nas suas brincadeiras fizesse uso dela. Actualmente está instalado um sistema elétrico/mecânico que acciona uns martelos para baterem nos sinos. Porém, o som em nada se compara ao produzido pela percussão dos badalos em forma de pêra. Ficará pela metade. Antes desse sistema, as carreiras do nosso sino eram ouvidos praticamente em todo o território da Junça. Até ao povo vizinho das Naves chegava a vibração maravilhosa. Do meu conhecimento há quatro grandes mestres no repicar dos nossos sinos: O Ti Sapateiro Velho, já falecido. O Sr Joaquim Cesar, já falecido. O Sr. Joaquim Mateus e o Sr Leonél.Há uma oração dedicada a Santa Bárbara no momento da trovoada que é assim:-Santa Bárbara bendita;Que nos céus está inscrita;Com papel e água benta;Pede a Deus Nosso Senhor;Que nos livre desta tormenta.P N e A M.

Igreja de Santa Maria Madalena, Junça. foto e texto: José Fonseca


Campanário com um sino grande e um pequeno: O sino pequeno, ou de “Santa Bárbara”, tem uma história. Havia uma senhora, a Maria do Ti João Pedro, tia da minha mulher, que era uma grande devota de Santa Bárbara e segundo se diz nos protege das trovoadas.Sempre que uma tempestade desabasse na Junça, fosse a que horas fosse, corria para os degraus de pedra que levam ao campanário, subia apressadamente e segurava o badalo do sino de Santa Bárbara e só parava freneticamente de tocar quando a trovoada se afastava. Voltava a casa com a roupa toda encharcada. Certo é, que as tormentas nunca causaram males de maior na nossa aldeia.

O sino grande já não é o primitivo. O som não se compara ao primeiro que foi vitima de um inverno rigoroso com muito gelo. Essas temperaturas muito negativas causaram uma fractura no bronze e teve que ser substituído. O toque das avé Marias ao meio dia e o toque das trindades ao cair da tarde era feito com a ajuda de uma corrente ligada ao sino grande e que era puxada cá de baixo. Essa corrente pode-se observar na foto ficava à altura de uma pessoa adulta para evitar que a garotada nas suas brincadeiras fizesse uso dela.

Actualmente está instalado um sistema elétrico/mecânico que acciona uns martelos para baterem nos sinos. Porém, o som em nada se compara ao produzido pela percussão dos badalos em forma de pêra. Ficará pela metade. 
Antes desse sistema, as carreiras do nosso sino eram ouvidos praticamente em todo o território da Junça. Até ao povo vizinho das Naves chegava a vibração maravilhosa.

Do meu conhecimento há quatro grandes mestres no repicar dos nossos sinos: 
O Ti Sapateiro Velho, já falecido. O Sr Joaquim Cesar, já falecido. O Sr. Joaquim Mateus e o Sr Leonél.


Há uma oração dedicada a Santa Bárbara no momento da trovoada que é assim:

-Santa Bárbara bendita;
Que nos céus está inscrita;
Com papel e água benta;
Pede a Deus Nosso Senhor;
Que nos livre desta tormenta.

P N e A M.




"Ó Maria, traz o candeeiro que a mula deu um coice… Não sei se foi em mim se foi na parede!"

José Caldeira

Declamação do poema “Liberdade” de Vasco Miranda por Avelino Lote. 12 de Agosto de 2012. video: José Fonseca

PAPA-FIGOS ou MARINTÉU, oriolus oriolus.  foto: Joaquim Antunes

O papa-figos, também chamado de marintéu, é uma ave de pequeno porte conhecida pelas suas cores garridas e por ser um ávido comedor de fruta, em especial de figos. O macho adulto é fácil de identificar: cabeça e dorso amarelos, asas pretas e bico vermelho. A fêmea é mais esverdeada e, quando em voo, pode confundir-se com o pica-pau-verde. Apesar de raramente pousar à vista, o papa-figos faz ouvir com frequência o seu canto aflautado, sendo este muitas vezes o primeiro sinal da sua presença.  A sua permanência coincide com o período de frutificação e maturação dos figos lampos e vindimos, que constituem o seu alimento predilecto. É um visitante estival que chega bastante tarde ao nosso país: a maioria dos machos faz-se ouvir a partir de finais de Abril ou início de Maio e canta até ao princípio de Julho. Parte para África em Agosto, sendo já raro a partir de Setembro.  O papa-figos distribui-se de norte a sul e pode ser considerado comum na metade interior do território nacional e pouco comum na metade ocidental. Na Beira Interior o papa figos é bastante comum ao longo de toda a faixa raiana e pode ser observado na albufeira de Santa Maria de Aguiar, na zona de Vilar Formoso, na região do Sabugal e Tejo Internacional. Mais para oeste, ocorre também em Celorico da beira, nas serras de Montemuro e da Gardunha e na albufeira da Marateca.


PAPA-FIGOS ou MARINTÉU
, oriolus oriolus.  foto: Joaquim Antunes

O papa-figos, também chamado de marintéu, é uma ave de pequeno porte conhecida pelas suas cores garridas e por ser um ávido comedor de fruta, em especial de figos.

O macho adulto é fácil de identificar: cabeça e dorso amarelos, asas pretas e bico vermelho. A fêmea é mais esverdeada e, quando em voo, pode confundir-se com o pica-pau-verde. Apesar de raramente pousar à vista, o papa-figos faz ouvir com frequência o seu canto aflautado, sendo este muitas vezes o primeiro sinal da sua presença.

A sua permanência coincide com o período de frutificação e maturação dos figos lampos e vindimos, que constituem o seu alimento predilecto. É um visitante estival que chega bastante tarde ao nosso país: a maioria dos machos faz-se ouvir a partir de finais de Abril ou início de Maio e canta até ao princípio de Julho. Parte para África em Agosto, sendo já raro a partir de Setembro.

O papa-figos distribui-se de norte a sul e pode ser considerado comum na metade interior do território nacional e pouco comum na metade ocidental.

Na Beira Interior o papa figos é bastante comum ao longo de toda a faixa raiana e pode ser observado na albufeira de Santa Maria de Aguiar, na zona de Vilar Formoso, na região do Sabugal e Tejo Internacional. Mais para oeste, ocorre também em Celorico da beira, nas serras de Montemuro e da Gardunha e na albufeira da Marateca.


BOLSA DE PASTORCapsella bursa-pastoris (L.) Medik. Brassicaceae Esta planta, que floresce ao longo de todo o ano em todo o Mundo, excepto nas regiões áridas, nas culturas, jardins, à beira dos caminhos, muros velhos e escombros, deve o seu nome vernáculo à forma dos seus frutos, que fazem lembrar as bolsas dos pastores. O próprio nome do género, Capsella, significa pequeno cofre em latim. Desconhecida dos Gregos, dos Romanos e dos Árabes, a bolsa-de-pastor foi muitas vezes confundida na Idade Média, com a sempre-noiva, sob o nome de sanguinária. No século XVI, Mattioli resumiu o juízo da época sobre esta planta na seguinte afirmação: é um bom hemostático. No século XVIII e começo do XIX, era conhecida pelas suas propriedades adstringentes, recomendada contra a expectoração sanguinolenta e as metrorragias. A seguir foi esquecida. No entanto, durante a I Guerra Mundial, a falta de plantas anti-hemorrágicas, como a cravagem do centeio e hidraste, favoreceu a procura de plantas indígenas adstringentes e hemostáticas; a partir daí, a bolsa-de-pastor saiu do esquecimento. Também designada de por capsela, erva-do-bom-pastor.IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA Planta herbácea anual, de 8 a 50 cm de altura, caule erecto, mais ou menos viloso na base. As folhas basais são em roseta junto ao solo; as que se encontram ao longo do caule, muito mais pequenas, são amplexicaules, inteiras e ligeiramente penatissectas. As flores, muito pequenas, brancas, encontram-se agrupadas em corimbos terminais. Os frutos são silículas triangulares contendo numerosas sementes oblongas e avermelhadas.PARTES UTILIZADAS A parte aérea, que deve ser seca à sombra em local bem arejado.COMPONENTES A bolsa-de-pastor contém colina (cerca de 0,2%). Contém também derivados flavónicos (luteolol e heterósidos correspondentes) e uma alcaloide (a burcina), um óleo essencial próximo do da mostarda, um pouco de tanino e ácidos orgânicos, entre os quais ácido fumárico.PROPRIEDADES Ad partes aéreas da bolsa-de-pastor são conhecidas pela sua acção sobre a insuficiência venosa e o seu efeito hemostático, que derivam certamente da riqueza em colina e da presença do referido alcaloide e dos derivados flavónicos.INDICAÇÕES HABITUAIS A bolsa-de-pastor é tradicionalmente reconhecida como um hemostático e tónico uterino. Está indicada no caso de insuficiência venosa (pernas pesadas), tanto por via interna como externa.PRECAUÇÕES Nenhuma nas doses preconizadas.UTILIZAÇÕES Infusão (10 min.): 20 g de partes aéreas por litro de água. 1 chávena de manhã e à noite contra as hemorroidas, varizes e pernas pesadas. 3 a 4 chávenas por dia, num tratamento de 10 dias, em caso de metrorragias e de perdas sanguíneas.

BOLSA DE PASTOR
Capsella bursa-pastoris (L.) Medik.
Brassicaceae



Esta planta, que floresce ao longo de todo o ano em todo o Mundo, excepto nas regiões áridas, nas culturas, jardins, à beira dos caminhos, muros velhos e escombros, deve o seu nome vernáculo à forma dos seus frutos, que fazem lembrar as bolsas dos pastores. O próprio nome do género, Capsella, significa pequeno cofre em latim. Desconhecida dos Gregos, dos Romanos e dos Árabes, a bolsa-de-pastor foi muitas vezes confundida na Idade Média, com a sempre-noiva, sob o nome de sanguinária. No século XVI, Mattioli resumiu o juízo da época sobre esta planta na seguinte afirmação: é um bom hemostático. No século XVIII e começo do XIX, era conhecida pelas suas propriedades adstringentes, recomendada contra a expectoração sanguinolenta e as metrorragias. A seguir foi esquecida. No entanto, durante a I Guerra Mundial, a falta de plantas anti-hemorrágicas, como a cravagem do centeio e hidraste, favoreceu a procura de plantas indígenas adstringentes e hemostáticas; a partir daí, a bolsa-de-pastor saiu do esquecimento. Também designada de por capsela, erva-do-bom-pastor.


IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA
Planta herbácea anual, de 8 a 50 cm de altura, caule erecto, mais ou menos viloso na base. As folhas basais são em roseta junto ao solo; as que se encontram ao longo do caule, muito mais pequenas, são amplexicaules, inteiras e ligeiramente penatissectas. As flores, muito pequenas, brancas, encontram-se agrupadas em corimbos terminais. Os frutos são silículas triangulares contendo numerosas sementes oblongas e avermelhadas.

PARTES UTILIZADAS
A parte aérea, que deve ser seca à sombra em local bem arejado.

COMPONENTES
A bolsa-de-pastor contém colina (cerca de 0,2%). Contém também derivados flavónicos (luteolol e heterósidos correspondentes) e uma alcaloide (a burcina), um óleo essencial próximo do da mostarda, um pouco de tanino e ácidos orgânicos, entre os quais ácido fumárico.

PROPRIEDADES
Ad partes aéreas da bolsa-de-pastor são conhecidas pela sua acção sobre a insuficiência venosa e o seu efeito hemostático, que derivam certamente da riqueza em colina e da presença do referido alcaloide e dos derivados flavónicos.

INDICAÇÕES HABITUAIS
A bolsa-de-pastor é tradicionalmente reconhecida como um hemostático e tónico uterino. Está indicada no caso de insuficiência venosa (pernas pesadas), tanto por via interna como externa.

PRECAUÇÕES
Nenhuma nas doses preconizadas.

UTILIZAÇÕES
Infusão (10 min.): 20 g de partes aéreas por litro de água. 1 chávena de manhã e à noite contra as hemorroidas, varizes e pernas pesadas. 3 a 4 chávenas por dia, num tratamento de 10 dias, em caso de metrorragias e de perdas sanguíneas.


Mãe

Intacta como o silêncio. Terra 
Na terra, dela te alimentas e, serena, 
A adubas, como orvalho às manhãs. 
Fantasma de ti, não; e, como espírito, ardes 
Por entre. Ciprestes e ventos. E sóis e 
Noites. Mas ardes. E falas. Fétida mi- 
Neração de ossos translúcidos 
Do azul que me legaste 
Ao descer-te as pálpebras na hora verdadeira. 
Intacta como os ventos que não vieram 
E aguardam a hora de soltar-se. 
Intacta por sob. Mas intacta. Pura, 
De terra e de sonho. Não sa-u-d-a- 
De nem fantasma, não. Alegria. 
Como o ser. Como a ladainha que te cantei, tu sabes 

Quando. ALEGRIA. Como quando os olhos 
Não sabiam de lágrimas. Ou sabiam, 
Como se não existissem senão para. 
Saber-te lá onde és (aqui, tão pertinho, 
Onde o teu sopro se fechou… ) Alegria 
Ainda e sempre… Intacta. Casta toda 
Como os mármores que não quis a emoldurar 
Teu corpo de terra. Casta como os ventos. 
Ardência solar da meia-tarde de cada dia, 
Claridade que me nasces no «bom-dia» 
Que nos damos, por sob o sol e a chuva 
Das horas e dos dias. Verdes campos de verdes ciprestes 
Se-nos-entrelaçam no quotidiano existir. 
Porque te sei. Como os ventos sopram. O espírito arde. 
Como, não? Verdes agulhas de verdes ciprestes 
Sinalizam o absoluto. 

Num envelope de terra, pura e intacta, jazes. 

(Primeiro aniversário da tua vida, agora.) 



Vasco Miranda in: ‘O Ciclo de Elsa’

"A chuva de S. João
tira azeite e vinho
e não dá pão."

ditado popular. “No mês de Junho as trovoadas são por vezes flagelos das plantas pela precipitação e violência do granizo e das chuvas torrenciais; tendo aumentado o calor, é o mês por excelência da agricultura por via dos grandes factores do desenvolvimento vegetal, o calor e humidade. É certo que demasiada humidade, com frequentes precipitações, impede a fecundação da flor da oliveira e favorece o desenvolvimento das bactérias do míldio e do oídio nas vinhas e em nada aumenta a produção dos cereais já criados..”


Carlos Alberto Marques in: “Subsídios para o estudo da Geografia de Portugal. A Bacia Hidrográfica do Côa”, Separata da revista Biblos, vol. XI (Coimbra, 1935), pp. 388-419, e vol. XII (1936), pp. 172-211.


Escritura de venda de um horto no vale do “Cadoiço”, 
19 de Novembro de 1882. Propriedade de José da Fonseca Teles e sua mulher Maria Joaquina da Junça que o vendem para todo o sempre a António Lourenço da Fonseca, pela quantia de “dez mil reis”. Redigido por Bernardo Teixeira Alves, por estes não saberem ler nem escrever, tendo por testemunhas José Limão Caloleira, casado e lavrador e José Martins solteiro e ferreiro das Naves, e os demais da Junça.